Almas Nocturnas - Capítulo 5 - Beijos Mortais

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Almas Nocturnas - Capítulo 5 - Beijos Mortais

Mensagem por Paulo_Gomes em Dom Mar 25, 2012 11:03 pm

Os meus olhos quase choravam perante o sol incandescente que me fazia suar.
Não sei bem onde estava.
Perdido, deambulando à deriva num imenso areal, rumava sem saber bem para onde.
O calor era tal que acabei por tirar a camisola que trazia vestida e descobri o peito a nu.
O sol queimava a minha pele pálida como se de facas afiadas se tratasse.
Para onde quer que olhasse apenas via areia e mais areia.
Não fazia a mínima ideia que como houvera vindo ali parar e que direcção tomar.
Durante minutos que, no fundo, pareceram horas intermináveis, rumei a norte, rumei a sul e nada… Apenas mais do mesmo. Um imenso mar de areia fina que parecia não ter fim.
Caminhei às voltas até que as forças se me esgotaram.
O calor deixava-me abatido e com bastantes dificuldades para respirar.
Por fim, acabei por me render ao cansaço e deixei-me cair pelo chão.
Sentia o mundo rodopiar à minha volta e a minha cabeça parecia querer explodir.
Se era um sonho, eu apenas pretendia acordar e voltar para a vida real.
Cada vez mais me custava manter os olhos abertos, tal a intensidade do sol.
E ali permaneci deitado durante tempos que pareceram infinitos, tentando recuperar forças para voltar a caminhar.
Mas, como que por magia, senti uma brisa suave percorrer o meu corpo e revitalizar-me. Foi uma lufada de ar fresco que para além de me refrescar, afastou por completo o meu cansaço.
E assim, sem qualquer explicação, voltei a sentir a minha força vital ressurgir do nada.
Quando me levantei deparei-me com algo que, indiscutivelmente, teria que ser uma miragem.
Um enorme mar azul encontrava-se poucos metros à minha frente.
Como era possível não o ter descoberto há momentos atrás?
Seria uma miragem, fruto de uma imaginação louca pelo calor doentio que sentira? Será que o meu cérebro se encontrava em fase de alucinação?
Miragem ou não parecia bem real e depressa corri para as suas águas cristalinas, banhando o meu corpo transpirado.
A água era límpida, como nunca vira tal.
Parecia que estava num Paraíso.
O toque da água no meu corpo rejuvenescia-me a alma e a mente. Estava mesmo necessitado desta fonte de energia natural.
Mas foi então que ouvi sussurrarem o meu nome.
“- Alexxxxxx!!!...”
O som parecia ser trazido pelo vento mas eu não conseguia vislumbrar ninguém por perto. Mais uma vez, devia ser fruto da minha imaginação.
Depois de saciar todo o calor que quase dera comigo em louco voltei a sair da água e olhei ao meu redor.
Eu estava no meio do nada. Apenas água e areia me cercavam.
Mais uma vez comecei a deambular para trás e para a frente na tentativa forçada de encontrar uma saída daquele local tão deserto.
Tanta liberdade e eu sentia-me tão preso. Parecia não ter como fugir daquele espaço interminável.
“- Alexxxxxx!!!...”
Novamente o mesmo sussurro e desta vez parecia bem atrás de mim.
Virei-me repentinamente e deslumbrei os meus olhos com uma visão estonteante.
A poucos metros de distância de mim encontrava-se uma mulher tão bela, que poucos seriam os adjectivos para a poder descrever.
Era uma jovem de pele branca como a neve, com longos cabelos pretos e ondulados a esvoaçarem ao vento. Parecia um anjo caído dos céus.
Sob o corpo trazia um vestido branco, comprido até aos pés, com um decote acentuado no peito.
Tão formosa mulher não me deixou indiferente. Senti o coração bater mais apressado e a saliva crescer-me na boca.
Senti vontade de a abraçar, de a enrolar nos meus braços e a amar.
Lentamente, aproximei-me dela, como que numa espécie de transe. Não conseguia deixar de caminhar ao seu encontro, parecendo ser puxado por uma corrente imaginária.
Ao tempo que me aproximava notei que as suas feições eram tristes.
Ela encontrava-se imóvel, com o olhar fixo em mim e duas lágrimas deslizavam pela sua face abaixo.
Parei encostado a ela e com os dedos enxaguei-lhe as lágrimas.
Ela olhava-me directamente nos olhos, sem esboçar um sorriso, sem dizer uma palavra.
Eu também não conseguia dizer nada. Parecia hipnotizado. Apenas me apetecia encostar os meus lábios aos seus e beijá-la.
Durante longos segundos ficamos encostados a olharmo-nos mutuamente. Sem falar, sem pestanejar, quase mesmo sem respirar.
Ela era tão linda, perfeita mesmo.
Foi então que ela falou pela primeira vez.
- Sabes quem eu sou? – Perguntou-me baixinho.
Não. Eu não sabia e por isso mantive-me calado.
- O meu nome é Nesfiriti. Sou de muito longe, mais longe do que possas alguma vez imaginar. Moro por detrás de todas as montanhas, todos os mares, todos os desertos… Para nos encontrarmos seriam precisos dias, semanas, meses…
A sua voz era tão suave e ao mesmo tempo tão misteriosa. Era um tom contínuo de serenidade e paz que parecia nascida para seduzir.
- Eu preciso de ti, Alex. – Prosseguiu ela calmamente – E tu precisas de mim.
As suas palavras intrigavam-me. Como seria possível ser de tão longe como dizia, se estávamos frente a frente bem naquele momento?
- Eu não estou a perceber… – Deixei sair a medo.
Nesfiriti colocou as suas mãos macias sob a minha face e sussurrou.
- Isto é um sonho. Eu apenas consigo chegar a ti em sonhos. Estou aqui porque precisamos ambos um do outro.
- Não entendo…
- Eu sei que é difícil explicar. E infelizmente não tenho tempo para tal. Alguém consegue manipular os teus sonhos sempre que me aproximo de ti e faz-te ter uma visão distorcida da realidade. Algo maligno tenta separar-nos. Nos teus sonhos acabo por te fazer mal quando a minha intenção é precisamente a contrária.
As suas palavras começavam a enrolar-se na garganta, quase ficando presas no seu interior. E novamente as lágrimas começavam a brotar dos seus olhos azuis, lindos como o céu.
- Eu apenas quero o teu bem...
Uma ânsia enorme crescia dentro do meu peito sempre que ouvia uma palavra sua. Não conseguia entender as razões de tais justificações, principalmente porque nem sequer a conhecia.
- Beija-me, Alex. – Pediu-me ela carinhosamente – Beija-me antes que seja tarde demais.
A seu pedido e sem sequer hesitar juntei os meus lábios aos seus e beijei-a apaixonadamente.
Durante longos segundos permanecemos agarrados e senti a cabeça rodopiar como se o mundo girasse à minha volta. Senti a brisa suave a abraçar-nos e a fazer-nos dançar no céu, embalados numa valsa celestial.
O sabor da sua boca era delicioso, deixando-me completamente embriagado de prazer. Queria permanecer agarrado a ela pela vida inteira e jamais a largar.
Se estava a sonhar não queria acordar pois sentia-me no paraíso.
Mas, foi então, que o impossível aconteceu.
Por acto de magia ou feitiçaria, o seu corpo desfez-se em cinzas nos meus braços e somente restou um amontoado de pó cinzento a meus pés que voou levado pelo vento.
- Nãooooooooo!!!....
Um grito rouco soou da minha garganta, blasfemando tamanha atrocidade.
Alex deu um salto na sua cama, completamente transpirado.
Mais um sonho… Novamente um pesadelo…
O seu coração batia a um ritmo alucinante. A sua pulsação encontrava-se terrivelmente descontrolada e, dentro de si, morava uma espécie de vazio que o parecia deixar oco, tonto, despido...
Voltara a encontrar-se com Nesfiriti nos seus sonhos, episódio bastante repetitivo nas suas noites mal dormidas, mas desta vez o mal-estar que sentia era devido à sua não presença.
Agora houvera ficado seduzido por ela. Tão linda, tão doce… Ao mesmo tempo tão triste, fazendo lembrar a imensidão das montanhas geladas a norte.
Desta vez adoraria ter acordado agarrado a ela.
O jovem vampiro encontrava-se confuso.
Seria ela realmente um monstro sem coração como Pedro lhe houvera contado ou será que as suas intenções eram boas?
Dúvidas e mais dúvidas…
As palavras que ouvira da sua boca não lhe saíam da cabeça. E o sabor adocicado dos seus lábios também não.
Seria possível alguém assim tão belo e doce ser uma criatura infernal que pretendia apenas caos e destruição?
Alguma coisa tinha que estar por detrás de tudo aquilo, o problema era saber o quê ao certo…
Era quase manhã.
Começavam-se a ouvir os primeiros chilrear de pássaros à sua janela, fazendo adivinhar que a chuva passara e que um dia de sol estava prestes a nascer.
Era hora de se levantar e começar a preparar a sua mochila pois uma grande aventura estava prestes a iniciar.
Hoje era o dia em que partiria com seus amigos na procura de Angel, o seu progenitor diabólico.

Paulo_Gomes
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