Almas Nocturnas - Capítulo 4 - Angel

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Almas Nocturnas - Capítulo 4 - Angel

Mensagem por Paulo_Gomes em Sab Fev 18, 2012 10:54 pm

Angel era um vampiro sanguinário.
Por onde quer que passasse deixava sempre um rastro de sangue e caos. Era uma autêntica máquina de matar, pois a sua sede era deveras intensa. E acima de tudo, não costumava deixar ninguém vivo para contar as suas histórias.
Alex e Carlos haviam-no conhecido cerca de cinco anos atrás numa festa de aniversário que acabou por se transformar numa autêntica carnificina.
Estávamos então a 19 de Junho de 2006.
Nada fazia prever o que estaria para acontecer naquela fatídica noite.
Joana, a aniversariante, convidara cerca de 20 amigos para conviverem com ela nesse dia tão especial. Era o dia em que atingia a maioridade.
Os seus amigos eram todos jovens, como ela, com idades compreendidas entre os 17 e os 20 anos.
Entre os seus convidados encontravam-se dois rapazes alegres e com boa disposição: Alex e Carlos.
- Esta noite vai ser sempre a bombar. – Ria Carlos, entusiasmado.
- Estou a ver que sim. A Joana caprichou mesmo.
A festa tinha lugar num velho celeiro dos avós da aniversariante. Por todo o lado existiam mesas com pequenos aperitivos e vários doces e, como seria de esperar, a cerveja imperava a rodos.
- Vou apanhar uma piela hoje que vai ser do caixão à cova. – Gritava Carlos, levando uma garrafa de cerveja à boca.
A noite estava agradável e propicia às excentricidades daqueles jovens que procuravam por uma noite bem passada. O Verão estava prestes a iniciar e o seu calor já se fazia bem notar.
A música estava exageradamente alta, com os decibéis agudos a convidarem a loucura dos convidados.
- Joana… Estás linda hoje. – Soltou Alex, agarrando a mão da aniversariante à sua passagem.
A rapariga sorriu e agradeceu o elogio do seu amigo.
- Obrigado, Alex. Espero que te divirtas esta noite.
A jovem acenou e afastou-se, misturando-se com os restantes amigos.
- Continuas de beicinho por ela, não é? – Perguntou Carlos, rindo.
Alex apenas soltou um sorriso.
Todos sabiam que ele nutria um carinho muito especial por ela, um tipo de paixão que o consumia por dentro mas que, infelizmente, nunca lhe havia sido correspondido por ela.
Eram somente amigos, bons amigos.
- Bora lá a divertir! – Gritou Alex, erguendo uma cerveja nas mãos.
A música continuava ensurdecedora, parecendo quase querer fazer ruir as paredes frágeis do celeiro.
A histeria era geral.
Todos dançavam, todos gritavam… A festa tinha começado e ninguém queria ficar a leste desta.
Mas foi então que o pior pesadelo deles começou.
Repentinamente, todas as luzes se apagaram e a música desligou.
- O que se passa? – Gritavam alguns – Falhou a luz?
Nisto, uma aragem gelada percorreu todos os centímetros do celeiro e as portas pesadas fecharam-se com estrondo deixando os jovens enclausurados no seu interior.
- Fonix! O que é isto? – Perguntou Carlos, deixando escorregar a garrafa das mãos.
Não se via nada, nem ninguém, devido à escuridão que os cercava.
Algo de estranho estava a acontecer pois a temperatura houvera baixado drasticamente, tornando o ambiente gelado e quase causando um choque térmico em todos eles.
- Não estou a gostar nada disto. – Disse Alex entre dentes. – Alguma coisa está a cheirar mal nesta história.
E foi então que ele apareceu.
Foi uma entrada majestosa, digna do mais puro filme de terror.
Frente à porta surgiu um vulto com 2 enormes velas de cera na mão.
A luz trémula que emanava das velas deixava vislumbrar alguém alto, de cabelos longos e sedosos, completamente vestido de negro.
As suas feições eram irreconhecíveis devido à pouca luminosidade.
- Quem é este palhaço? – Perguntou Carlos ao ouvido de Alex.
- Não sei. Não faço a mínima ideia.
Lentamente, o estranho individuo começou a avançar no encontro deles, sem dizer uma palavra, sem pestanejar sequer.
Conforme a sua maior proximidade, as suas expressões faciais começavam a tornar-se mais nítidas.
A sua face era pálida, contrastando com o preto dos seus longos cabelos e parecia trazer os olhos e os lábios pintados a negro.
Além de alto, era esquelético.
Os seus passos pararam a poucos metros dos jovens que o observavam estupefactos.
- Boa noite. – Saudou ele com uma voz rouca e isenta de sentimentos.
Ninguém respondeu. O espanto estava bem estampado na cara de todos.
O individuo soltou uma gargalhada estridente, gelando-os da cabeça aos pés.
- Esta noite as trevas desceram à terra. – Gritou ele a plenos pulmões – Eu estou aqui para vos levar comigo. As almas nocturnas encarregaram-me de vos levar ao Inferno e eu, como seu mensageiro, vou cumprir com essas mesmas ordens.
O mote estava lançado.
O festim de terror estava prestes a começar.
Ditas tais palavras, o estranho largou as velas pelo chão e arremessou-se violentamente contra o primeiro jovem que lhe apareceu na frente.
O ataque foi fulminante.
Com uma dentada brutal, arrancou-lhe parte do pescoço deixando-o a esvair-se em sangue.
O pânico generalizou-se por entre todos os presentes e uma louca correria pela sobrevivência instalou-se por entre gritos agudos de aflição e horror.
Aos poucos, todos iam caindo como moscas mortas, aos pés daquele sinistro personagem que se deleitava a dilacerar-lhes os corpos, ao mesmo tempo que lhes cravava os dentes pontiagudos nos seus pescoços despidos, qual valsa demoníaca, coreografada a tons de sangue vivo que jorrava por todos os lados, transformando o ambiente num cenário nauseabundo e claustrofóbico.
O cheiro a morte cercava os já poucos sobreviventes que a todos os custos, se tentavam proteger dos ataques selvagens daquele louco enfurecido.
Angel era rei e senhor da situação.
Dotado de uma mobilidade extraordinária e de uma força brutal ia-se deleitando dos corpos frágeis que lhe apareciam pela frente.
Era um verdadeiro manjar dos Deuses.
De poucos minutos precisou para chacinar todos os residentes naquele local.
Aos seus pés só se viam corpos despidos de vida, ensanguentados, triturados, quase desfeitos pela sua fúria demoníaca.
O cenário era verdadeiramente apocalíptico.
Tantos jovens haviam acabado de sucumbir frente àquele verdadeiro animal sanguinário.
E como tão inesperadamente começou, depressa terminou também.
Angel estava saciado.
A sua boca pintada a sangue sorria perante tamanho horror.
Completada a chacina, Angel virou as costas e desapareceu por entre as trevas da noite, deixando para trás um rastro de destruição maciça e descomunal.
Mas, um pequeno milagre aconteceu no meio de tanta selvajaria.
Dois jovens haviam sobrevivido ao ataque.
Alex e Carlos estavam ferozmente feridos mas vivos.
Os seus corpos apenas haviam sido mordidos e não despedaçados. Uma pequena distracção do seu agressor salvou-lhes as vidas.
Mas as feridas eram enormes e a dor imensa.
Ambos se encontravam deitados pelo chão escorregadio e viscoso que mais parecia um rio de sangue, contorcendo-se de dores infernais.
E foi a partir desse momento que as suas vidas nunca mais voltaram a ser as mesmas. Uma nova era estava prestes a iniciar-se para ambos.
Lentamente, a dor que sentiam foi aliviando e uma estranha sensação de calma começou a deixá-los dormentes, como que injectados por algum tipo de droga poderosa.
Acabaram então por fechar os olhos e adormecer.
Longos minutos se passaram naquele cenário de horror maquiavélico, com montes de corpos despedaçados e amontoados pelo chão. Sangue, membros arrancados, um cheiro nauseabundo e pestilento…
O silêncio era claustrofóbico também.
E foi então que Alex e Carlos recuperaram os sentidos, renascendo para a nova vida que lhes havia sido imposta pelo seu atacante.
Ambos se ergueram dos mortos e, estáticos, observaram o horror que os cercava.
Os ferimentos dos seus corpos haviam desaparecido e pareciam repletos de energia outra vez.
Confusos, tontos e tremendamente amedrontados, entreolharam-se sem esboçar qualquer reacção.
O que fazer perante tamanha atrocidade?
E porque razões teriam sido poupados à fúria desumana de Angel?
Lógica ou ilogicamente tomaram a decisão que lhes pareceu mais sensata naquele momento. Desataram a correr para fora daquele templo maldito e fugiram a toda a velocidade e sem pestanejar.
As suas mentes ainda não se encontravam a raciocinar direito e a aflição e o sentimento de culpa por apenas eles haverem sobrevivido, dominava-os por inteiro.
Correram, correram, correram…
Apenas pararam à porta da casa de Carlos que vivia sozinho.
Sem hesitar, entraram e trancaram as portas, isolando-se no seu interior.
Por muito que trocassem olhares, continuavam calados sem saber o que comentar.
E assim, em silêncio, acabaram por se sentar nos sofás da sala e adormeceram por entre pensamentos gelados e mórbidos.
Nos dias seguintes, o massacre era notícia de primeira página de todos os jornais. Nunca se vira tamanha selvajaria numa cidade tão pequena como aquela.
Alex e Carlos nada comentaram sob o sucedido, guardando as informações unicamente para eles. No fundo, ninguém sabia que eles haviam estado nessa festa.
Era preferível ser assim, pois não tinham como explicar o massacre, nem como a sua sobrevivência.
Numa pequena troca de palavras, ambos prometeram nunca falar daquela fatídica noite com ninguém.
Mas a noite foi fatal para eles e os dois estavam conscientes disso.
Nada voltaria a ser igual.
As suas bocas salivavam agora arduamente por sangue. Sentiam sede. Muita sede.
Angel houvera-os transformado em vampiros.
Acidentalmente ou não, Alex e Carlos eram agora dois filhos da noite, dominados por uma terrível tentação de procurarem sangue quente para apaziguar os seus desejos.
E agora, cinco anos volvidos depois desse trágico acidente, parecia que alguém pretendia colocá-los lado a lado com o seu progenitor.

Paulo_Gomes
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