Almas Nocturnas

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Almas Nocturnas

Mensagem por Paulo_Gomes em Seg Jan 30, 2012 9:16 pm

Nota: Os 5 primeiros capítulos desta historia estão juntados aqui no primeiro post, por edição de Ftcv para adequasse as novas regras da área Escritores do Fórum

Prólogo
Um grito agudo e aflitivo soou no escuro da noite como se de um relâmpago se tratasse.
As ruas encontravam-se desertas e o único que se ouvia era o som de passos acelerados de alguém que parecia correr, fugindo de algo ou de alguém.
- Ajudem-me! Por favor!
Mais uma vez se ouviu um berro de aflição.
Quem corria desesperada era uma jovem mulher alta, loira, de olhos azuis e corpo elegante. O vestido azul que trazia por cima do corpo estava despedaçado e havia sangue a jorrar-lhe do pescoço.
Não se via ninguém na rua, o que a fazia desesperar ainda mais.
O seu perseguidor encontrava-se perto pois ela conseguia ouvir a sua respiração ofegante e sentir o seu odor nauseabundo.
Apesar de continuar a correr sentia as pernas a ficarem fracas e o sangue que continuava a perder começava a deixá-la entontecida.
Ainda continuou a galgar alguns metros de terreno mas por fim foi alcançada por aquele que a perseguia, que prontamente a agarrou, arremessando-a ao chão com extrema violência.
A jovem bateu com a cabeça no chão de pedra quase perdendo os sentidos.
O seu agressor observava-a com satisfação.
O escuro da noite não deixava ver-lhe as feições. Apenas se contemplava um vulto alto, magro, completamente vestido de negro com um chapéu a tapar-lhe a cabeça.
Sem perder tempo deitou-se por cima do corpo dela e começou a lamber-lhe a cara e a saborear o seu sangue.
Parecia apreciar e ter prazer com o que estava a fazer.
A rapariga nada conseguia fazer além de contemplar com horror aquele que parecia querer sugar-lhe a vida.
A lua estava alta, iluminando entorpecidamente aquele espectáculo macabro.
Mas rapidamente o pesadelo da jovem terminou.
Com uma dentada canibalesca, o homem arrancou parte do pescoço da rapariga, fazendo-a esvair-se em sangue.
O som da carne a ser estilhaçada nos seus dentes era brutal e o cheiro a sangue que se fazia sentir, bastante nauseabundo e forte.
Em poucos minutos desfez aquele corpo tenro nos seus dentes.
Depois de saciado, correu desenfreadamente pelas ruas solitárias deixando aquele corpo despedaçado ali no meio da estrada, entregue aos ratos que se haviam aproximado, orientados pelo cheiro que a carne libertara.
A lua continuava alta, bem luminosa, transformando aquele cenário num quadro burlesco de mutilação.


Capítulo 1 - Pesadelos
Lá estavas tu novamente, na clareira da floresta, a dançar e a deixar-me hipnotizado. Não me cansava de te observar e de te desejar.
Apenas trazias um manto branco por cima do corpo, deixando transparecer todas as curvas que te moldavam com se uma deusa te tratasses.
A tua pele branca como a luz contrastava com a escuridão da noite que te envolvia. Eras como um farol no meio de uma noite de tempestade.
O meu pensamento era mais do que um simples desejo mortal. Procurava ir ao encontro da tua pele, sentir o gosto da tua carne e provar o sabor do teu sangue.
E tu sabias que eu te desejava… A forma como exibias o teu corpo, essa tua expressão sensual e provocadora, convidava-me a ir ao teu encontro.
O teu sorriso… O teu olhar…
O luar da noite dava mais brilho a esse teu corpo, transformando-te no mais doce pecado.
Queria tanto tocar-te, acariciar-te…
Mas não posso…
Não te quero amaldiçoar com esta minha triste sina.
Tu pertences ao mundo dos vivos, lugar onde em tempos também já pertenci e de onde, infelizmente, fui retirado.
O meu coração bate apressado e os meus braços desejam agarrar-te.
Não! Tenho que me controlar…
Sinto a saliva crescer-me na boca, sinto o teu cheiro, ouço o bater do teu coração, sinto o sangue a correr dentro das tuas veias, como que a implorar por mim…
Blasfemo aos céus e às trevas por esta terrível tentação.
Os teus olhos cruzam-se com os meus e dançam agarrados.
Sei que pretendes fazer o mesmo com o teu corpo. Queres que te abrace, que te dispa, que passe uma noite de amor ao teu lado.
Mas tu nem sequer imaginas a maldição que transporto em mim.
Se suspeitasses já tinhas fugido para longe e a esta hora estavas trancada no quarto, com a cabeça escondida debaixo da almofada.
Que olhar tão inocente… Tão puro… És a mais bela mulher que já conheci em toda a minha vida.
Mas não te quero fazer mal. Apenas pretendo ver-te dançar. Permanecer apaixonado pelos teus movimentos sensuais.
Eu sei que tu queres mais… Noto a ansiedade a crescer em ti e sinto que não vais resistir muito tempo sem te dirigires até mim.
Deuses ou demónios que fazem parte da minha vida, protejam quem amo e não me deixem arrastá-la para uma vida de pesadelo como a minha.
Mas eu sabia que isto ia acontecer. Mais cedo ou mais tarde, o feitiço da lua, ia trazer-te ao meu encontro.
Não! Não venhas, por favor!... Não te aproximes de mim!
Continua a dançar e não venhas para aqui.
Fecho os olhos. Sinto-te a vires na minha direcção. Consigo ouvir a tua respiração ofegante. Não sabes o que estás a fazer… Volta para trás.
Quero fugir mas não tenho forças. Estou preso ao chão e as minhas pernas encontram-se imóveis.
Tu viajas ao meu encontro, como que desperta por uma força sobrenatural.
Desculpa. Não te queria hipnotizar. Muito menos fazer-te mal.
Mas tu vens… E tocas na minha face com as tuas mãos sedosas.
Tens mãos de fada, tão suaves e macias. O teu toque é carinhoso e pede um beijo de amor.
Continuo com os olhos fechados, pois não quero testemunhar o pecado que estou prestes a cometer.
Estou em completo delírio de loucura. Até quando vou aguentar esta sede… e esta fome que me consome por dentro e que arde sem dar hipótese que a consiga extinguir?
Não te quero fazer mal. Quero-te amar, ser teu… Viver uma história de amor com um final feliz.
Tu sabes que eu não estou bem… Sabes que estou doente.
Devo estar branco como a neve, com a testa impregnada de suor gelado.
Mesmo assim tu não vais embora. Insistes em ficar ao meu lado e em continuar a acariciar a minha face com os teus dedos esguios.
Já nem sei se o hipnotizado sou eu ou tu…
O toque das tuas mãos está a acalmar-me.
Já não sinto o desejo de te fazer mal. Já não sinto a necessidade de te morder e trazer-te para o meu mundo amaldiçoado.
Agora posso abrir os olhos.
Ó deusa tão bela que te encontras frente a este meu olhar adocicado.
Estou perdido de amores pela tua beleza. Os teus cabelos negros bailam ao sabor do vento e os teus lábios carnudos e vermelhos pedem para te beijar.
Os teus olhos são azuis, iguais aos meus. Um azul brilhante que faz lembrar a imensidão do mar, sereno e ao mesmo tempo tão perigoso e mortífero.
Em pensamento peço-te que me beijes. É um desejo que pretendo transformar em realidade.
A tua boca aproxima-se da minha. Sinto o teu respirar excitado e consigo ver a tua língua a querer saltar para dentro de mim.
E pela primeira vez, desde a minha transformação, consigo beijar uma mulher sem a necessidade de ter que lhe tirar a vida.
Que saudades tinha de um beijo assim, apaixonado.
Sinto-me vivo novamente. Estava cansado deste enclausuramento que apenas me trazia náuseas e angústias à minha existência.
Mas… algo de estranho se passa.
O teu beijo sabe a veneno.
Sinto a cabeça a andar à roda, tenho dificuldades em respirar…
O que me estás a fazer?
Larga-me!
Tu afastas-te e dás uma risada maquiavélica. O teu rosto tão belo, afinal parece esconder uma alma maligna e letal.
Onde está aquela mulher angelical que me apaixonou enquanto dançava?
De bela passaste a besta e eu de monstro passei a vítima…
Sinto o teu veneno a correr nas minhas veias. Sinto o coração a dilacerar.
Afinal quem és tu? Que criatura fantástica és para depositar no meu corpo veneno tão mortal que me asfixia tão rapidamente?
Sinto-me fraco. Impotente para reverter esta maldição.
E tu apenas ris, enquanto me observas a deambular tonto, sem ter a noção de quando cairei redondo pela terra fria que se encontra debaixo dos meus pés.
Tanto receio de matar eu tinha, e agora quem estava a morrer era eu.
O veneno que corria em mim era tão intenso que nem me deixava raciocinar.
Tantas vezes predador, a sugar vidas após um beijo, tinha virado caça desta criatura abominável mas bela.
Os meus olhos já nada mais viam, além de manchas escuras e trémulas.
Por fim, acabei por sucumbir e o meu corpo desfaleceu pelo chão.
A minha mente divagava, aprisionada a memórias e imagens do meu passado recente. Mortes, orgias sanguinárias, pecado, luxúria…
Parece que desta vez tinha encontrado a paz necessária e que tanta falta fazia à minha alma.
Afinal… hoje até estava uma noite bonita para se morrer…
E foi então que fechei os meus olhos pela última vez, debaixo de uma intensa chuva de estrelas…
- Nãoooooooo!!!!!!.......
Um grito agudo e profundo ecoou no quarto escuro de Alex.
O seu corpo encontrava-se transpirado, e os seus olhos esbugalhados e cheios de lágrimas.
Os pesadelos começavam a ser cada vez mais intensos e cada vez mais reais.
Alex ainda sentia na boca o sabor do veneno que provara no seu sonho. Era um sabor amargo que lhe causava vómitos e mal-estar.
A sua cabeça latejava, como se houvesse passado a noite em claro.
Mais uma noite… Mais um pesadelo… Mais uma vez marioneta, num teatro macabro imaginado por sua mente.
E mais uma vez a despertar com uma estranha sensação de desconforto que parecia matá-lo por dentro.
O seu coração batia forte, descompassado…
Até quando iriam durar estes malditos pesadelos?
E quem seria ela? Esta estranha mulher que diariamente o visitava em sonhos… Misteriosa, letal e bela como um anjo?
Apesar de sozinho no quarto, Alex parecia ainda sentir a presença dela. O seu cheiro parecia estar nos lençóis que o cobriam.
Talvez por isso, não conseguisse ganhar a coragem necessária para sair da cama.



Capítulo 2 - Vampiros
- O Alex está outra vez atrasado. – Comentava Catarina, olhando para o relógio que trazia no pulso.
Carlos espreitou para a rua através dos vidros embaciados da janela e abanou a cabeça. Não se via ninguém na rua.
- Sempre a mesma coisa… – Comentou – Será que voltou a ter pesadelos?
- Sei lá… Mas ele tem andado tão estranho ultimamente. – Respondeu Catarina, levando uma chávena de café à boca.
Os relógios marcavam 9 horas em ponto e os termómetros registavam temperaturas abaixo de zero. Estava a ser um dos meses mais frios do ano.
As ruas encontravam-se praticamente desertas, espelhando bem o espírito daquele dia frio e cinzento.
- Eu não consigo perceber do que é que o Alex tem tanto medo… Afinal ele é um vampiro, um ser imortal.
- Cala-te! – Berrou Carlos, alterado – O que sabes tu sobre vampiros? Tu… que és apenas uma humana vulgar... Tu não sabes nada de nada sobre nós.
Catarina baixou a cabeça, assustada.
Não era fácil lidar com o comportamento impulsivo e quase irracional de Carlos. Ele assustava-a de morte. Era um homem áspero, insensível, frio e bruto.
Alex era mais doce. Era simpático e afável.
Catarina tinha uma paixão louca por ele mas, infelizmente, a mesma nunca lhe tinha sido correspondida.
Talvez por ele ser um vampiro e ter medo de a magoar, ou então, porque não estaria interessado em envolver-se com uma mulher tão insignificante como ela. Uma simples humana, fraca e sensível.
Carlos fitou-a directamente nos olhos e murmurou algo imperceptível por entre os dentes.
Ele parecia algo nervoso e receoso também.
A presença de Catarina não era muito do seu agrado, mas como no fundo, era uma amiga de Alex, ele recebia-a em sua casa como se ela fosse uma da sua espécie.
- Desculpa ter-me exaltado contigo.
O ambiente tinha ficado pesado entre os dois, e ambos se sentiam ligeiramente desconfortáveis.
- Mas… Diz-me lá, Catarina. Que ideia tens nossa? – Perguntou Carlos, amenizando a voz – Que ideia tens dos vampiros? Tens a ideia que somos seres imortais, que não sofrem, que apenas espalham o terror e o caos? Que somos Deuses ou algo do género?
A rapariga continuava a manter uma expressão assustadiça e o seu tom de voz mostrava-se trémulo e inseguro.
- Eu… Eu… Acho que os vampiros são seres que nunca morrem, nem envelhecem…
- Quer dizer… – Interrompeu-a Carlos – És daquelas pessoas que acreditam em tudo o que vêm nos filmes ou lêem nos livros? Que um vampiro é imortal e só morre com uma estaca espetada no coração. É isso?
As suas expressões eram espelhos de ironia, o que assustava ainda mais a pobre rapariga.
Como ela desejava que o Alex aparecesse…
O olhar de Carlos estava a aterrorizá-la. Era hipnotizador e continha algo de maligno. Além de a inquietar, parecia querer apoderar-se da sua alma.
“A sede…A sede…”
Carlos esforçava-se para conseguir manter a sua lucidez mas a sede que sentia ao olhar o corpo da rapariga estava a aluciná-lo.
As pálpebras dos seus olhos encontravam-se ligeiramente dilatadas e a sua mente começava a ser um portal de alucinações sangrentas e carnívoras.
Por quanto mais tempo iria resistir sem tocar naquela pele tão jovem e tenra?
- Nunca confies num vampiro, Catarina. – Deixou escapar por entre dentes – A nossa sede é enorme.
A jovem sentia que corria perigo.
Ele olhava-a como se fosse um lobo esfomeado.
Catarina já tinha presenciado uma imagem igual, no dia em que descobriu o segredo do seu amigo Alex.
Nessa noite, escura e sombria, Catarina dirigia-se a casa depois de uma saída com uns amigos.
Ela caminhava sozinha e veloz, pois a hora já era tardia e os seus pais encontravam-se acordados à sua espera.
Era muito jovem ainda, com apenas 18 anos feitos à meia dúzia de dias.
O seu passo apressado foi interrompido por um berro, vindo por detrás de uma cerca velha que se encontrava poucos metros à sua frente.
O que estaria a acontecer?
Curiosa, resolveu espreitar por cima dela e foi então que teve uma visão de puro pesadelo, pura ilusão…
Uma jovem encontrava-se estendida pelo chão e alguém, de aspecto sombrio, estava debruçado sobre ela e a morder-lhe o pulso do braço esquerdo.
Estava muito escuro e ela não conseguia reconhecer os protagonistas daquela tela macabra.
Apenas visualizava um vulto, alguém vestido de negro e uma jovem com um vestido curto e florido.
Mas mesmo assim, conseguia enxergar o momento de horror pelo qual a rapariga estava a passar.
Esta contorcia-se pelo chão, moribunda, quase a perder os sentidos enquanto a pessoa que se encontrava a seu lado, se deleitava a chupar-lhe o sangue das veias.
Catarina quase nem queria acreditar no que os seus olhos presenciavam.
Encontrava-se atónita perante tamanha atrocidade.
O seu coração batia desenfreadamente no seu peito e apetecia-lhe berrar, mas os seus lábios encontravam-se selados, sem reacção.
Ela não conseguia continuar a presenciar tão horrendo crime, sem nada poder ou conseguir fazer.
Sendo assim, virou costas e retomou o caminho de casa, com um frio enorme a percorrer-lhe a barriga.
As imagens macabras que acabara de presenciar não lhe saíam da cabeça e os seus passos eram agora inseguros e dados a medo. Parecia embriagada pelo odor do sangue que se fazia sentir naquele local.
Com os olhos embaciados de lágrimas começou a acelerar o seu andamento. Estava ansiosa por chegar a casa e trancar-se no quarto, fingindo nada ter visto.
Horror… Sangue… Terror no seu estado mais puro… Acto de crueldade maquiavélica… Eram pensamentos que se repetiam no seu subconsciente, aterrorizando-a por completo. Como seria capaz de retirar tais imagens de dentro de si?
Mas foi então, que Catarina ouviu passos atrás de si.
Alguém a seguia.
O medo começava a transformar-se em pânico… O horror em realidade asfixiante.
Os passos aproximavam-se… Estavam cada vez mais perto… Perto demais até.
Fosse quem fosse, estava mesmo atrás dela, quase encostado ao seu corpo. Ela conseguia ouvir a sua respiração… E o cheiro a sangue fresco que parecia trazer entranhado, qual espécie de perfume demoníaco.
E ouviu então uma voz chamar o seu nome…
Ela conhecia esta voz… Esta forma tão suave de pronunciarem o seu nome… Uma voz tão doce que a fazia sonhar desde nova.
Catarina parou.
Seria ele?
Seria o Alex, o homem por quem sempre tivera admiração e por quem nutria este sentimento tão especial e secreto?
Cautelosamente, rodou a cabeça por cima dos ombros e tentou visualizar quem se encontrava atrás dela.
Nada… Não se via ninguém.
Não se encontrava ninguém por perto.
Era tudo uma ilusão, talvez devido ao seu alto estado de nervosismo e pânico.
A estrada por onde houvera caminhado encontrava-se vazia, escura, sem um único som, além do normal barulho da noite, com o seu vento sussurrante e gelado.
Mas, no momento em que se voltou novamente para a frente, disposta a retomar o seu percurso, os seus olhos vislumbraram-no, escassos metros à sua frente.
Alex observava-a com ar perverso e os seus lábios encontravam-se pintados a sangue.
Catarina tremia, sem reacção.
Afinal sempre era ele.
O homem dos seus sonhos, a sua fonte de inspiração, a sua alma gémea…
Alex encostou-se a ela e acariciou-lhe os cabelos ondulados.
Ele estava tão diferente, tão misterioso, tão assustador…
- Vais-me fazer mal, Alex? – Perguntou Catarina, numa espécie de gemido.
Ele nem a parecia ouvir… Parecia estar num transe hipnótico em que apenas a via como uma presa.
Mas o seu toque era carinhoso. A forma como afagava os seus cabelos parecia confortá-la ao invés de a aterrorizar.
Talvez mesmo neste estado de mutação, ele estivesse consciente que Catarina era sua amiga e não lhe quisesse fazer mal.
- Vais-me magoar? – Voltou a perguntar a jovem, colocando-lhe as mãos sobre a face e fitando-lhe os seus enormes olhos azuis.
Alex tremeu ao sentir os dedos da rapariga na sua pele… E cambaleou.
As suas expressões transformaram-se e agora já não deixava transparecer um ar maligno, mas sim um ar comprometido, como se o houvessem despido e lhe houvessem apreciado a sua intimidade tão secreta e tão bem guardada.
Nisto, desatou a correr e deixou Catarina novamente só, a interrogar-se às estrelas sobre o que teria acontecido ali.
E agora, Catarina voltava a presenciar o mesmo olhar maligno e perverso, a esbater-se sobre si.
Mas desta vez, era Carlos quem a observava.
Um ser mais forte que Alex, muito mais desumano também. Alguém sem compaixão, com instinto de predador escrito na pele.
E ela sabia que não era com uma carícia ou com uma palavra mansa que o conseguiria acalmar.
Se pretendia sobreviver a este embate tinha que ser forte. Não podia mostrar-se fragilizada, nem dominada pelo medo. Se tal acontecesse, ela tornar-se-ia uma presa fácil demais para ele.
Carlos agarrou-a por um braço, puxando-a até si.
Aí a tinha, como pretendia, encostada ao seu corpo, alucinando com o aroma do seu corpo e imaginando o quão doce seria o seu sangue.
Bastava-lhe uma pequena mordidela para saciar a sua vontade louca de beber.
- Cheiras tão bem… – Balbuciou com os olhos vidrados e brilhantes.
Catarina tentou livrar-se do aperto das suas mãos ásperas mas este nem estremeceu.
Carlos era um vampiro possante, bastante entroncado e com uma força descomunal. E Catarina parecia uma simples folha de papel nas suas enormes mãos.
- Onde pensas que vais?
Ele estava desejoso por saciar o seu apetite com o sangue quente da rapariga.
Nada, nem ninguém o poderia agora impedir.
A boca aberta mostrava dois enormes dentes pontiagudos, que sobressaíam no meio de uma saliva ávida de sangue.
Catarina estava bem consciente que estes podiam ser os seus últimos segundos de vida mas, mesmo assim, tentava controlar-se. Não queria entrar em pânico pois sabia que, se tal acontecesse, seria bem pior.
Não tinha forças para lutar com ele e nem saberia como o fazer, mas estava disposta a resistir até ao último suspiro.
Carlos agarrou-a pelo cabelo e puxou-a, deixando o pescoço tenro da jovem a descoberto e a centímetros dos seus afiados dentes.
Ele sentia o coração dela a bater exageradamente, fazendo com que o sangue fluísse e circulasse mais rapidamente nas suas veias. Era o momento ideal para saciar a sua infinita sede. Sim… Finalmente chegara a hora de voltar a sentir o sabor doce de uma jovem na sua boca.
Catarina fechou os olhos e tentou impedi-lo, colocando a mão direita na sua face. Ela queria afastá-lo mas não tinha forças. Sabia que era um esforço em vão, perante tamanho monstro sanguinário.
Restava-lhe rezar para a sua morte ser rápida e indolor.
Os seus olhos permaneciam fechados e os segundos pareciam demorar eternidades. Mas, afinal, porque estava ele a demorar tanto tempo para a morder?
A medo, abriu os olhos e olhou para Carlos.
Este parecia adormecido, quase que hipnotizado.
As suas feições haviam mudado. Agora parecia calmo, com os olhos e a boca fechada. Parecia num transe profundo.
Catarina aproveitou a oportunidade para se tentar livrar do aperto das suas mãos e empurrou-o.
Carlos largou-a e cambaleou.
Parecia esgotado, sem forças…
A jovem encontrava-se atónita, sem conseguir encontrar uma explicação plausível para o sucedido.
Já o mesmo houvera acontecido quando Alex se aproximara dela na tentativa de a morder.
No exterior da casa ouviu-se um estrondo causado por um trovão. Uma tempestade aproximava-se, sem que nada o fizesse prever.
Catarina permanecia imóvel a observar aquele que momentos antes a tentara matar.
Aquele vampiro impiedoso e sem sentimentos, sofria agora como se transportasse um fardo enorme de culpa e arrependimento.
As peças encontravam-se baralhadas como um puzzle e Catarina não estava a conseguir decifrar o enigma.
Um novo e ensurdecedor trovão rasgou os céus e ecoou nas ruas desertas da cidade.
Desertas ou quase…
Alguém se dirigia, com passo apressado, até aquela mesma casa.
Além de apressado, nervoso, tropeçando aqui e acolá.
Ao chegar à entrada da casa, bateu três vezes na porta e aguardou impacientemente, carregado de um nervosismo impressionante.
- É o Alex! – Gritou Catarina, correndo velozmente para abrir a porta.
A porta abriu-se e a rapariga vislumbrou um jovem magro, com óculos, aparentemente frágil devido à sua estrutura esquelética.
- Catarina? – Perguntou o rapaz – És a Catarina, não és?
A rapariga acenou afirmativamente com a cabeça, mas não conseguindo esconder uma ligeira desconfiança quanto a este desconhecido que se encontrava na sua frente.
- Posso entrar? – Pediu ele com simpatia.
- Claro. Entre!
O jovem entrou dentro de casa e fechou a porta pesada por detrás dele.
Carlos encontrava-se a poucos metros de distância, encostado à parede e também ele parecia intrigado com este estranho que lhe entrara pela casa dentro.
- Desculpem. Eu sei que vocês não me conhecem… Mas eu sei quem vocês são. Eu conheço-vos. Eu vim cá, pois temos que nos unir para salvar o Alex. Se o perdermos é o fim da humanidade. Garanto-vos… É mesmo o fim do mundo, tal como o conhecemos. Eu estou aqui para vos ajudar.




Capítulo 3 - Revelações

Alex sentia-se fraco.
Os pesadelos pareciam conduzi-lo por uma longa estrada que o esgotava física e psicologicamente. Esta situação já se vinha a arrastar há imenso tempo e o seu corpo ressentia-se disso.
Agora encontrava-se mais calmo. O estranho sabor que lhe envenenava a garganta desaparecera, dando lugar a um vazio e a uma terrível angústia que o deixava abatido.
Era uma sensação louca que lhe vincava cicatrizes no coração.
Apesar de apenas a conhecer em sonhos, Alex começava a sentir-se, de certa forma, atraído mas também dominado por esta estonteante mulher.
Quem seria ela? E porque razão teimava em o visitar, noite após noite, no recanto mais secreto dos seus sonhos?
Enquanto isso, Carlos e Catarina observavam boquiabertos o jovem que fizera questão em os visitar naquele dia cinzento.
- Quem és tu? – Perguntou Carlos – E como é que nos conheces?
Apesar do frio que se fazia sentir, o rapaz tinha a testa carregada de suor. Notava-se uma certa intranquilidade no seu olhar e ânsia na sua forma de falar.
- Pois bem. Eu chamo-me Pedro. – Apresentou-se – E estou aqui porque vocês precisam de mim.
Carlos soltou uma gargalhada estridente.
- Precisamos de ti? Para quê?
Pedro deu dois passos na direcção de Carlos e fitou-o directamente nos olhos.
- O que me sabes dizer sobre os sonhos que andam a inquietar o Alex?
- Qual é o problema dos meus sonhos? – Ouviu-se por detrás dele.
Alex acabara de entrar em casa e observava-o de cima a baixo.
O azul dos seus olhos sobressaía no tom pálido da sua pele.
Alex era um jovem atraente, cheio de charme. Tinha um ar inocente e uma expressão tranquila e confiante.
- E então? Qual é o problema dos meus sonhos? – Voltou a perguntar.
Catarina correu para os seus braços e agarrou-o, num abraço apertado.
- Ainda bem que chegaste. – Desabafou ela.
- Perfeito! – Comentou Pedro, com um enorme sorriso nos lábios – Agora sim, estamos todos reunidos.
Alex, Catarina e Carlos entreolhavam-se confusos, sem conseguirem descortinar o que estava a acontecer.
- Muito bem… – Falou Pedro – Vou tentar explicar-vos o que está a acontecer.
Além de desconfiados, todos se encontravam intrigados e ansiosos por ouvir o que o jovem tinha para lhes contar.
- Alex, continuas a sonhar com ela?
Alex acenou afirmativamente com a cabeça.
- Sim, continuo. Mas não sei quem é… Tu sabes?
Pedro soltou um sorriso amarelo e procurou por algo nos bolsos interiores do seu casaco.
As suas mãos agarraram um livro de aspecto antigo e comido pelo tempo, devido ao tom envelhecido e amarelado das suas folhas.
- Já ouviram falar de Nesfiriti, rainha dos vampiros, deusa das trevas?
Alex e Catarina encolheram os ombros, dando a entender que nunca tinham ouvido falar de tal personagem.
Por seu lado, Carlos manteve-se imóvel, nada demonstrando.
- Pois bem… – Prosseguiu Pedro – Nesfiriti é uma figura lendária, personagem de histórias fantásticas. Conta a lenda que é a rainha de todos os vampiros e que tem o poder de os observar a todos, na sua busca incessante por aquele que um dia se juntará a ela no altar, de modo a concretizar a união que ditará o fim da humanidade e o inicio de um reinado de trevas e caos.
Pedro alicerçava as suas palavras em pequenos conteúdos retirados do livro que trazia nas mãos.
- Nesfiriti é o expoente máximo da maldade. É uma mulher bela, com milhares de anos e um coração repleto de dor, desgraça, miséria e solidão. Contudo ela procura precisamente o seu oposto. Um vampiro com bom coração, neste caso, o expoente máximo da bondade. Alguém que a contraste, tal como a noite faz com o dia. Dessa união resultará uma fusão entre o bem e o mal e apenas o mais forte sobreviverá. Neste caso concreto, Nesfiriti será o elo mais forte e com essa união multiplicará todos os seus poderes transformando-se na mais temível deusa que um dia o mundo conheceu. Ninguém terá forças para lhe fazer frente e o mundo inteiro será dominado pelo seu exército de vampiros sanguinários que escravizarão toda a raça humana, espalhando o terror por todos os continentes e por todos os mares.
Carlos soltou um sorriso.
- Andas a ler muitos livros, rapazinho. Isso é apenas ficção, nada mais.
- Será que é apenas ficção? – Perguntou Pedro, com os olhos postados em Alex.
Alex nada respondeu.
- Sendo assim, – Prosseguiu Pedro – os vampiros também são apenas ficção, não acham?
Após essas palavras, o silêncio foi geral.
Carlos aproximou-se então do jovem e observou-o, sarcasticamente.
- Conheces algum vampiro?
Pedro deu dois passos atrás, um pouco a medo e sorriu.
- Pessoalmente… Conheço dois. – Respondeu – A ti e ao Alex. Mas existem muitos mais por aí, disfarçados como pessoas normais. Os vampiros existem e vocês são a prova disso.
- Quem és tu? – Perguntou Carlos em tom ameaçador.
Pedro engoliu em seco, assustado.
- Calma! Eu explico tudo.
O jovem sentia-se ameaçado por Carlos mas era exactamente com o que estava à espera. Ele já preverá que tal fosse acontecer.
- Eu tenho um dom. Eu consigo visualizar o que vai acontecer no futuro.
Mais uma vez o silêncio voltou a instalar-se entre eles.
O ar parecia infestado de desconfiança, confusão, perplexidade…
- Desde novo que tenho este poder de ter visões. Há quem pense que isto é uma maldição mas eu tenho a certeza que é um dom que me foi concebido para poder ajudar aqueles que necessitam do meu auxílio.
- Então, estás aqui para nos ajudar? – Perguntou Alex – É isso?
- Sim – Respondeu Pedro – Vocês fazem parte do meu futuro, tal como eu faço do vosso. Somos essenciais uns aos outros. Eu precisava encontrar-me convosco para nos aliarmos contra este mal que se aproxima.
- E esse mal, se bem entendi, é essa tal de Nesfiriti?
- Sim Alex. Nesfiriti encontrou aquele que procurava há séculos. Tu és o escolhido para ser o seu noivo.
Catarina estremeceu e agarrou com força a mão do seu amigo.
- Então é ela quem me visita nos sonhos…
- Isso é tudo tretas. – Resmungou Carlos – Não me digas que acreditas nestas baboseiras?
Alex caminhou ao encontro de Carlos e abraçou-o firmemente.
- Eu já nem sei em que acreditar, meu amigo. Eu só sei que estes pesadelos são cada vez mais reais e estão a dar cabo de mim. Eu vou acabar por dar em louco se isto continuar assim.
Pedro aproximou-se e tentou-os tranquilizar.
- Confiem em mim. Estou aqui para vos ajudar. Sei que vai ser duro mas vamos conseguir resolver esta situação.
A tempestade que ameaçava ruir, instalara-se em definitivo.
Chuvas fortes esbarravam nas janelas e o vento uivava por entre as frinchas da porta.
Os quatro jovens dialogavam agora na sala, sentados em grandes cadeirões antigos, acastanhados em couro de Carlos.
Pedro voltara a contar toda a história de início, mostrando-lhes o livro que trouxera em seu auxílio.
- Entenderam agora quem ela é e o que pretende? – Perguntou no final.
- Sim. – Respondeu Catarina – Mas como é que podemos ter a certeza que é ela quem anda a aparecer em sonhos ao Alex?
O estranho rapaz aguçara a curiosidade dos três jovens e estes apenas procuravam fundamentos para poderem acreditar nas suas palavras.
Pedro estava agora muito mais tranquilo. A ansiedade e o nervosismo que sentira quando entrara naquela casa já se encontravam praticamente extintos. Restava-lhe aguardar que acreditassem no que dizia.
- Fácil. Ninguém sonha constantemente com a mesma pessoa. Nos sonhos de Alex, o único que muda é o cenário, pois as personagens são sempre as mesmas: Ele e Nesfiriti. Ela já o encontrou e agora está a fazer uso das suas habilidades para o seduzir e hipnotizar. Quando Alex estiver completamente atraído por ela, Nesfiriti aparecerá para completar a ligação que os unirá para sempre. Eu já tive a oportunidade de contemplar essa união nas minhas visões.
- Então isso significa que eles vão-se unir? – Perguntou Catarina aflita.
- Não! – Respondeu Pedro prontamente – As minhas visões servem para me alertar e, consequentemente, para me darem a oportunidade de modificá-las. O futuro está em constante movimento e todas as acções que forem tomadas no presente, influenciarão e de que maneira o futuro. O que é certo hoje, amanhã poderá ser totalmente irreal, devido à consequência dos nossos actos. Se unirmos os nossos poderes conseguiremos derrotar esta rainha das trevas.
- E o que temos que fazer? – Perguntou Alex.
- Primeiro que tudo temos que aprender a lidar com as nossas maiores armas, ou seja, temos que conhecer os nossos verdadeiros poderes.
Catarina soltou uma gargalhada.
- Poderes? Que poderes? Eu sou uma miúda normal, não sou nenhuma heroína. Nem sequer sou vampira.
Pedro sorriu e piscou-lhe um olho.
- Não és vampira mas tens o poder de acalmar os vampiros ou ainda não te tinhas apercebido disso? O teu poder está no toque. Sempre que tocas na face dum ser não humano consegues retirar-lhe toda a raiva, todo o ódio, toda a força que ele tem e transforma-lo por minutos num ser fraco, com dor. O teu toque tem o poder de fazer um vampiro ficar fragilizado e numa angústia tremenda.
A rapariga ficou muda, quase em estado de choque. Agora percebera o que houvera acontecido poucos momentos atrás, quando Carlos se preparava para a atacar. O seu toque salvara-a duma morte que parecia anunciada.
Carlos e Alex encontravam-se boquiabertos. Nunca haviam suspeitado que ela tivesse este dom de auto-defesa.
- Então… – Balbuciou ela – Foi por isso que o Carlos não me atacou…
Perante tais palavras, uma expressão de surpresa apareceu no rosto de Alex.
Carlos parecia envergonhado, com os olhos postados no chão.
- Tu tentaste atacá-la? – Perguntou Alex enfurecido.
Carlos nada respondeu. Ele sabia que Alex e Catarina eram bons amigos e o que houvera acontecido não era bom para o clima de amizade deles.
- Já passou. – Disse Catarina, tentando amenizar o ambiente.
Alex estava furioso com ele.
Ele sabia que Carlos tinhas dificuldades na contenção da sua enorme sede, mas não admitia que ele tivesse tentado fazer mal à sua amiga.
Pedro, receando que eles se desentendessem, intrometeu-se de imediato, deitando água na fervura.
- Calma, vá lá. Nós precisamos de nos manter unidos. Só assim é que vamos conseguir fazer frente a este mal.
Alex suspirou irritado e tentou tranquilizar.
- Nós depois conversamos Carlos. Não te preocupes que na altura certa vamos falar sobre isto.
Carlos estava tremendamente embaraçado e notava-se um nervoso miudinho a crescer dentro dele.
- Pois bem… – Prosseguiu Pedro – Como eu dizia, depois de conhecermos os nossos verdadeiros poderes, precisamos recrutar uma outra pessoa para nos auxiliar. É alguém que, no fundo, será a força bruta do grupo. Um guerreiro que esteja habituado a lidar com a morte e em que o termo “matar” faça parte do seu dia-a-dia habitual. Conhecem alguém com essas características? Um vampiro talvez?
Carlos ergueu-se da sua cadeira num ápice e resmungou.
- Não, isso não! Se for quem eu estou a pensar, esquece! Não vou juntar-me a esse assassino sem escrúpulos.
Alex baixou a cabeça e balbuciou entre dentes.
- Estás a falar do Angel?
Pedro cerrou os dentes e silenciosamente acenou com a cabeça. Era precisamente sobre ele que se estava a referir.




Capítulo 4 - Angel

Angel era um vampiro sanguinário.
Por onde quer que passasse deixava sempre um rastro de sangue e caos. Era uma autêntica máquina de matar, pois a sua sede era deveras intensa. E acima de tudo, não costumava deixar ninguém vivo para contar as suas histórias.
Alex e Carlos haviam-no conhecido cerca de cinco anos atrás numa festa de aniversário que acabou por se transformar numa autêntica carnificina.
Estávamos então a 19 de Junho de 2006.
Nada fazia prever o que estaria para acontecer naquela fatídica noite.
Joana, a aniversariante, convidara cerca de 20 amigos para conviverem com ela nesse dia tão especial. Era o dia em que atingia a maioridade.
Os seus amigos eram todos jovens, como ela, com idades compreendidas entre os 17 e os 20 anos.
Entre os seus convidados encontravam-se dois rapazes alegres e com boa disposição: Alex e Carlos.
- Esta noite vai ser sempre a bombar. – Ria Carlos, entusiasmado.
- Estou a ver que sim. A Joana caprichou mesmo.
A festa tinha lugar num velho celeiro dos avós da aniversariante. Por todo o lado existiam mesas com pequenos aperitivos e vários doces e, como seria de esperar, a cerveja imperava a rodos.
- Vou apanhar uma piela hoje que vai ser do caixão à cova. – Gritava Carlos, levando uma garrafa de cerveja à boca.
A noite estava agradável e propicia às excentricidades daqueles jovens que procuravam por uma noite bem passada. O Verão estava prestes a iniciar e o seu calor já se fazia bem notar.
A música estava exageradamente alta, com os decibéis agudos a convidarem a loucura dos convidados.
- Joana… Estás linda hoje. – Soltou Alex, agarrando a mão da aniversariante à sua passagem.
A rapariga sorriu e agradeceu o elogio do seu amigo.
- Obrigado, Alex. Espero que te divirtas esta noite.
A jovem acenou e afastou-se, misturando-se com os restantes amigos.
- Continuas de beicinho por ela, não é? – Perguntou Carlos, rindo.
Alex apenas soltou um sorriso.
Todos sabiam que ele nutria um carinho muito especial por ela, um tipo de paixão que o consumia por dentro mas que, infelizmente, nunca lhe havia sido correspondido por ela.
Eram somente amigos, bons amigos.
- Bora lá a divertir! – Gritou Alex, erguendo uma cerveja nas mãos.
A música continuava ensurdecedora, parecendo quase querer fazer ruir as paredes frágeis do celeiro.
A histeria era geral.
Todos dançavam, todos gritavam… A festa tinha começado e ninguém queria ficar a leste desta.
Mas foi então que o pior pesadelo deles começou.
Repentinamente, todas as luzes se apagaram e a música desligou.
- O que se passa? – Gritavam alguns – Falhou a luz?
Nisto, uma aragem gelada percorreu todos os centímetros do celeiro e as portas pesadas fecharam-se com estrondo deixando os jovens enclausurados no seu interior.
- Fonix! O que é isto? – Perguntou Carlos, deixando escorregar a garrafa das mãos.
Não se via nada, nem ninguém, devido à escuridão que os cercava.
Algo de estranho estava a acontecer pois a temperatura houvera baixado drasticamente, tornando o ambiente gelado e quase causando um choque térmico em todos eles.
- Não estou a gostar nada disto. – Disse Alex entre dentes. – Alguma coisa está a cheirar mal nesta história.
E foi então que ele apareceu.
Foi uma entrada majestosa, digna do mais puro filme de terror.
Frente à porta surgiu um vulto com 2 enormes velas de cera na mão.
A luz trémula que emanava das velas deixava vislumbrar alguém alto, de cabelos longos e sedosos, completamente vestido de negro.
As suas feições eram irreconhecíveis devido à pouca luminosidade.
- Quem é este palhaço? – Perguntou Carlos ao ouvido de Alex.
- Não sei. Não faço a mínima ideia.
Lentamente, o estranho individuo começou a avançar no encontro deles, sem dizer uma palavra, sem pestanejar sequer.
Conforme a sua maior proximidade, as suas expressões faciais começavam a tornar-se mais nítidas.
A sua face era pálida, contrastando com o preto dos seus longos cabelos e parecia trazer os olhos e os lábios pintados a negro.
Além de alto, era esquelético.
Os seus passos pararam a poucos metros dos jovens que o observavam estupefactos.
- Boa noite. – Saudou ele com uma voz rouca e isenta de sentimentos.
Ninguém respondeu. O espanto estava bem estampado na cara de todos.
O individuo soltou uma gargalhada estridente, gelando-os da cabeça aos pés.
- Esta noite as trevas desceram à terra. – Gritou ele a plenos pulmões – Eu estou aqui para vos levar comigo. As almas nocturnas encarregaram-me de vos levar ao Inferno e eu, como seu mensageiro, vou cumprir com essas mesmas ordens.
O mote estava lançado.
O festim de terror estava prestes a começar.
Ditas tais palavras, o estranho largou as velas pelo chão e arremessou-se violentamente contra o primeiro jovem que lhe apareceu na frente.
O ataque foi fulminante.
Com uma dentada brutal, arrancou-lhe parte do pescoço deixando-o a esvair-se em sangue.
O pânico generalizou-se por entre todos os presentes e uma louca correria pela sobrevivência instalou-se por entre gritos agudos de aflição e horror.
Aos poucos, todos iam caindo como moscas mortas, aos pés daquele sinistro personagem que se deleitava a dilacerar-lhes os corpos, ao mesmo tempo que lhes cravava os dentes pontiagudos nos seus pescoços despidos, qual valsa demoníaca, coreografada a tons de sangue vivo que jorrava por todos os lados, transformando o ambiente num cenário nauseabundo e claustrofóbico.
O cheiro a morte cercava os já poucos sobreviventes que a todos os custos, se tentavam proteger dos ataques selvagens daquele louco enfurecido.
Angel era rei e senhor da situação.
Dotado de uma mobilidade extraordinária e de uma força brutal ia-se deleitando dos corpos frágeis que lhe apareciam pela frente.
Era um verdadeiro manjar dos Deuses.
De poucos minutos precisou para chacinar todos os residentes naquele local.
Aos seus pés só se viam corpos despidos de vida, ensanguentados, triturados, quase desfeitos pela sua fúria demoníaca.
O cenário era verdadeiramente apocalíptico.
Tantos jovens haviam acabado de sucumbir frente àquele verdadeiro animal sanguinário.
E como tão inesperadamente começou, depressa terminou também.
Angel estava saciado.
A sua boca pintada a sangue sorria perante tamanho horror.
Completada a chacina, Angel virou as costas e desapareceu por entre as trevas da noite, deixando para trás um rastro de destruição maciça e descomunal.
Mas, um pequeno milagre aconteceu no meio de tanta selvajaria.
Dois jovens haviam sobrevivido ao ataque.
Alex e Carlos estavam ferozmente feridos mas vivos.
Os seus corpos apenas haviam sido mordidos e não despedaçados. Uma pequena distracção do seu agressor salvou-lhes as vidas.
Mas as feridas eram enormes e a dor imensa.
Ambos se encontravam deitados pelo chão escorregadio e viscoso que mais parecia um rio de sangue, contorcendo-se de dores infernais.
E foi a partir desse momento que as suas vidas nunca mais voltaram a ser as mesmas. Uma nova era estava prestes a iniciar-se para ambos.
Lentamente, a dor que sentiam foi aliviando e uma estranha sensação de calma começou a deixá-los dormentes, como que injectados por algum tipo de droga poderosa.
Acabaram então por fechar os olhos e adormecer.
Longos minutos se passaram naquele cenário de horror maquiavélico, com montes de corpos despedaçados e amontoados pelo chão. Sangue, membros arrancados, um cheiro nauseabundo e pestilento…
O silêncio era claustrofóbico também.
E foi então que Alex e Carlos recuperaram os sentidos, renascendo para a nova vida que lhes havia sido imposta pelo seu atacante.
Ambos se ergueram dos mortos e, estáticos, observaram o horror que os cercava.
Os ferimentos dos seus corpos haviam desaparecido e pareciam repletos de energia outra vez.
Confusos, tontos e tremendamente amedrontados, entreolharam-se sem esboçar qualquer reacção.
O que fazer perante tamanha atrocidade?
E porque razões teriam sido poupados à fúria desumana de Angel?
Lógica ou ilogicamente tomaram a decisão que lhes pareceu mais sensata naquele momento. Desataram a correr para fora daquele templo maldito e fugiram a toda a velocidade e sem pestanejar.
As suas mentes ainda não se encontravam a raciocinar direito e a aflição e o sentimento de culpa por apenas eles haverem sobrevivido, dominava-os por inteiro.
Correram, correram, correram…
Apenas pararam à porta da casa de Carlos que vivia sozinho.
Sem hesitar, entraram e trancaram as portas, isolando-se no seu interior.
Por muito que trocassem olhares, continuavam calados sem saber o que comentar.
E assim, em silêncio, acabaram por se sentar nos sofás da sala e adormeceram por entre pensamentos gelados e mórbidos.
Nos dias seguintes, o massacre era notícia de primeira página de todos os jornais. Nunca se vira tamanha selvajaria numa cidade tão pequena como aquela.
Alex e Carlos nada comentaram sob o sucedido, guardando as informações unicamente para eles. No fundo, ninguém sabia que eles haviam estado nessa festa.
Era preferível ser assim, pois não tinham como explicar o massacre, nem como a sua sobrevivência.
Numa pequena troca de palavras, ambos prometeram nunca falar daquela fatídica noite com ninguém.
Mas a noite foi fatal para eles e os dois estavam conscientes disso.
Nada voltaria a ser igual.
As suas bocas salivavam agora arduamente por sangue. Sentiam sede. Muita sede.
Angel houvera-os transformado em vampiros.
Acidentalmente ou não, Alex e Carlos eram agora dois filhos da noite, dominados por uma terrível tentação de procurarem sangue quente para apaziguar os seus desejos.
E agora, cinco anos volvidos depois desse trágico acidente, parecia que alguém pretendia colocá-los lado a lado com o seu progenitor.




Capítulo 5 - Beijos Mortais
Os meus olhos quase choravam perante o sol incandescente que me fazia suar.
Não sei bem onde estava.
Perdido, deambulando à deriva num imenso areal, rumava sem saber bem para onde.
O calor era tal que acabei por tirar a camisola que trazia vestida e descobri o peito a nu.
O sol queimava a minha pele pálida como se de facas afiadas se tratasse.
Para onde quer que olhasse apenas via areia e mais areia.
Não fazia a mínima ideia que como houvera vindo ali parar e que direcção tomar.
Durante minutos que, no fundo, pareceram horas intermináveis, rumei a norte, rumei a sul e nada… Apenas mais do mesmo. Um imenso mar de areia fina que parecia não ter fim.
Caminhei às voltas até que as forças se me esgotaram.
O calor deixava-me abatido e com bastantes dificuldades para respirar.
Por fim, acabei por me render ao cansaço e deixei-me cair pelo chão.
Sentia o mundo rodopiar à minha volta e a minha cabeça parecia querer explodir.
Se era um sonho, eu apenas pretendia acordar e voltar para a vida real.
Cada vez mais me custava manter os olhos abertos, tal a intensidade do sol.
E ali permaneci deitado durante tempos que pareceram infinitos, tentando recuperar forças para voltar a caminhar.
Mas, como que por magia, senti uma brisa suave percorrer o meu corpo e revitalizar-me. Foi uma lufada de ar fresco que para além de me refrescar, afastou por completo o meu cansaço.
E assim, sem qualquer explicação, voltei a sentir a minha força vital ressurgir do nada.
Quando me levantei deparei-me com algo que, indiscutivelmente, teria que ser uma miragem.
Um enorme mar azul encontrava-se poucos metros à minha frente.
Como era possível não o ter descoberto há momentos atrás?
Seria uma miragem, fruto de uma imaginação louca pelo calor doentio que sentira? Será que o meu cérebro se encontrava em fase de alucinação?
Miragem ou não parecia bem real e depressa corri para as suas águas cristalinas, banhando o meu corpo transpirado.
A água era límpida, como nunca vira tal.
Parecia que estava num Paraíso.
O toque da água no meu corpo rejuvenescia-me a alma e a mente. Estava mesmo necessitado desta fonte de energia natural.
Mas foi então que ouvi sussurrarem o meu nome.
“- Alexxxxxx!!!...”
O som parecia ser trazido pelo vento mas eu não conseguia vislumbrar ninguém por perto. Mais uma vez, devia ser fruto da minha imaginação.
Depois de saciar todo o calor que quase dera comigo em louco voltei a sair da água e olhei ao meu redor.
Eu estava no meio do nada. Apenas água e areia me cercavam.
Mais uma vez comecei a deambular para trás e para a frente na tentativa forçada de encontrar uma saída daquele local tão deserto.
Tanta liberdade e eu sentia-me tão preso. Parecia não ter como fugir daquele espaço interminável.
“- Alexxxxxx!!!...”
Novamente o mesmo sussurro e desta vez parecia bem atrás de mim.
Virei-me repentinamente e deslumbrei os meus olhos com uma visão estonteante.
A poucos metros de distância de mim encontrava-se uma mulher tão bela, que poucos seriam os adjectivos para a poder descrever.
Era uma jovem de pele branca como a neve, com longos cabelos pretos e ondulados a esvoaçarem ao vento. Parecia um anjo caído dos céus.
Sob o corpo trazia um vestido branco, comprido até aos pés, com um decote acentuado no peito.
Tão formosa mulher não me deixou indiferente. Senti o coração bater mais apressado e a saliva crescer-me na boca.
Senti vontade de a abraçar, de a enrolar nos meus braços e a amar.
Lentamente, aproximei-me dela, como que numa espécie de transe. Não conseguia deixar de caminhar ao seu encontro, parecendo ser puxado por uma corrente imaginária.
Ao tempo que me aproximava notei que as suas feições eram tristes.
Ela encontrava-se imóvel, com o olhar fixo em mim e duas lágrimas deslizavam pela sua face abaixo.
Parei encostado a ela e com os dedos enxaguei-lhe as lágrimas.
Ela olhava-me directamente nos olhos, sem esboçar um sorriso, sem dizer uma palavra.
Eu também não conseguia dizer nada. Parecia hipnotizado. Apenas me apetecia encostar os meus lábios aos seus e beijá-la.
Durante longos segundos ficamos encostados a olharmo-nos mutuamente. Sem falar, sem pestanejar, quase mesmo sem respirar.
Ela era tão linda, perfeita mesmo.
Foi então que ela falou pela primeira vez.
- Sabes quem eu sou? – Perguntou-me baixinho.
Não. Eu não sabia e por isso mantive-me calado.
- O meu nome é Nesfiriti. Sou de muito longe, mais longe do que possas alguma vez imaginar. Moro por detrás de todas as montanhas, todos os mares, todos os desertos… Para nos encontrarmos seriam precisos dias, semanas, meses…
A sua voz era tão suave e ao mesmo tempo tão misteriosa. Era um tom contínuo de serenidade e paz que parecia nascida para seduzir.
- Eu preciso de ti, Alex. – Prosseguiu ela calmamente – E tu precisas de mim.
As suas palavras intrigavam-me. Como seria possível ser de tão longe como dizia, se estávamos frente a frente bem naquele momento?
- Eu não estou a perceber… – Deixei sair a medo.
Nesfiriti colocou as suas mãos macias sob a minha face e sussurrou.
- Isto é um sonho. Eu apenas consigo chegar a ti em sonhos. Estou aqui porque precisamos ambos um do outro.
- Não entendo…
- Eu sei que é difícil explicar. E infelizmente não tenho tempo para tal. Alguém consegue manipular os teus sonhos sempre que me aproximo de ti e faz-te ter uma visão distorcida da realidade. Algo maligno tenta separar-nos. Nos teus sonhos acabo por te fazer mal quando a minha intenção é precisamente a contrária.
As suas palavras começavam a enrolar-se na garganta, quase ficando presas no seu interior. E novamente as lágrimas começavam a brotar dos seus olhos azuis, lindos como o céu.
- Eu apenas quero o teu bem...
Uma ânsia enorme crescia dentro do meu peito sempre que ouvia uma palavra sua. Não conseguia entender as razões de tais justificações, principalmente porque nem sequer a conhecia.
- Beija-me, Alex. – Pediu-me ela carinhosamente – Beija-me antes que seja tarde demais.
A seu pedido e sem sequer hesitar juntei os meus lábios aos seus e beijei-a apaixonadamente.
Durante longos segundos permanecemos agarrados e senti a cabeça rodopiar como se o mundo girasse à minha volta. Senti a brisa suave a abraçar-nos e a fazer-nos dançar no céu, embalados numa valsa celestial.
O sabor da sua boca era delicioso, deixando-me completamente embriagado de prazer. Queria permanecer agarrado a ela pela vida inteira e jamais a largar.
Se estava a sonhar não queria acordar pois sentia-me no paraíso.
Mas, foi então, que o impossível aconteceu.
Por acto de magia ou feitiçaria, o seu corpo desfez-se em cinzas nos meus braços e somente restou um amontoado de pó cinzento a meus pés que voou levado pelo vento.
- Nãooooooooo!!!....
Um grito rouco soou da minha garganta, blasfemando tamanha atrocidade.
Alex deu um salto na sua cama, completamente transpirado.
Mais um sonho… Novamente um pesadelo…
O seu coração batia a um ritmo alucinante. A sua pulsação encontrava-se terrivelmente descontrolada e, dentro de si, morava uma espécie de vazio que o parecia deixar oco, tonto, despido...
Voltara a encontrar-se com Nesfiriti nos seus sonhos, episódio bastante repetitivo nas suas noites mal dormidas, mas desta vez o mal-estar que sentia era devido à sua não presença.
Agora houvera ficado seduzido por ela. Tão linda, tão doce… Ao mesmo tempo tão triste, fazendo lembrar a imensidão das montanhas geladas a norte.
Desta vez adoraria ter acordado agarrado a ela.
O jovem vampiro encontrava-se confuso.
Seria ela realmente um monstro sem coração como Pedro lhe houvera contado ou será que as suas intenções eram boas?
Dúvidas e mais dúvidas…
As palavras que ouvira da sua boca não lhe saíam da cabeça. E o sabor adocicado dos seus lábios também não.
Seria possível alguém assim tão belo e doce ser uma criatura infernal que pretendia apenas caos e destruição?
Alguma coisa tinha que estar por detrás de tudo aquilo, o problema era saber o quê ao certo…
Era quase manhã.
Começavam-se a ouvir os primeiros chilrear de pássaros à sua janela, fazendo adivinhar que a chuva passara e que um dia de sol estava prestes a nascer.
Era hora de se levantar e começar a preparar a sua mochila pois uma grande aventura estava prestes a iniciar.
Hoje era o dia em que partiria com seus amigos na procura de Angel, o seu progenitor diabólico.

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Re: Almas Nocturnas

Mensagem por Ftcv em Dom Maio 27, 2012 8:38 pm

Olá Paulo_Gomes!
Primeiramente, como administrador do fórum, gostaria de informar que para se adequar as novas regras da área Escritores do Fórum eu editei seu tópico colocando todos os capítulos postados até então nele, para que todos os capítulos da história estejam no mesmo tópico, os próximos você posta aqui no tópico da forma que você preferir, também sinta-se livre para editar seu tópico colocando a formatação que desejar! E inclusive deletando minha nota caso seja sua vontade!

E agora como leitor, li até o 3º capitulo até agora, e estou infeliz e angustiado porque queria ter tempo pra ler os outros dois logo hoje! Caramba, você escreve muito bem! Sério, de verdade, a qualidade está excelente! Por favor continue a historia, parabéns mesmo, Almas Nocturnas está fantástica! Quero logo poder continuar a leitura!

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